sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Amores Maduros...

Oi...

Reencontrei este texto, meu, de 2006, versando sobe as lutas de "coroas" (como se eu não fosse, risos) contra um chamado, por vezes imoral e, porque não dizer, anti-ético, da vida... Como eu ainda não escrevi nada este ano (ô, preguiça...), resolvi brindá-los, aos meu DOIS leitores, com a pérola de meus pensamentos, há seis anos atrás...

Hoje, eu o chamaria como acima, "Amores Maduros" e não o pomposo título de outrora: "Podem pessoas adultas e casadas se apaixonar?". E, sequer faria menção a casados, pois a questão não é ser casado, é estar envolvido com alguém e se apaixonar por outra. Boa leitura!

"Podem pessoas adultas e casadas se apaixonar?

Observando o diário sofrimento das pessoas, vejo que ainda somos como nossos antepassados pré-históricos, que, pervertendo a hierarquia de Maslow (aquela, que escalonava as necessidades do ser humano em cinco estágios), transformamos nossos desejos, de forma irracional, indistintamente, em gênero de primeira necessidade.

Por qual motivo eu escrevo isto? É fácil: vejo os homens e mulheres de minha geração (cerca de quarenta anos) - todos, sem exceção - em busca, ou de um novo amor, ou de um grande amor do passado.

O inacreditável, é que a busca desse amor, ou melhor dizendo, esse amor, torna-se prioridade na vida dessas pessoas. Talvez, porque todos os níveis de prioridade já estejam supridos. Ou talvez, porque totalmente ao contrário, nenhum dos outros níveis esteja completamente suprido. Mas, se individualmente é por um motivo ou por outro, globalmente não existe na verdade um único motivo; são todos, tornando a sua motivação, conjuntural.

Nessa conjuntura que é a vida moderna, com suas infinitas possibilidades, geradas pela convergência tecnológica, o homem se sente só, ou infeliz, ou ambos, pois no inconsciente coletivo desta geração é assim mesmo. É infeliz, porque, apesar de casado, dentro de suas expectativas, bem sucedido, com filhos, etc..., se sente só. Por sentir-se só, isola-se e fica infeliz. Chamemos a isto de ciclo vicioso da infelicidade. Ah, sim, é só um exemplo. Poderia pegar qualquer outro exemplo de vida e o final seria o mesmo: só e infeliz.

Dirimirmos a nossa dúvida quanto a esta questão, é fácil. Basta abrirmos uma página de INTERNET que lá está a propaganda de um site de encontros... Uma amiga (dessa geração, de 37 anos) me disse que comentara com outra amiga, o quanto ela se ressentia de não existir MSN na época dela, para elas poderem "causar" na rede; uma, tem três filhos e a outra dois. O chato é que, na prática, elas tem "causado" - :D .

O chato mesmo é que, como elas, um sem número de adultos dessa geração também está assim, como que querendo voltar no tempo, para viver uma vida que não pode mais ser vivida. Parece que a vida é muito curta e que ainda temos muito que aproveitá-la, no melhor estilo hedonista. No meu ORKUT, além dos meus ex-alunos e ex-colegas de trabalho, existe uma grande quantidade de ex-adolescentes (risos) em busca de um passado, de uma identidade e, com certeza, de seus ex-amores e de colegas que tenham afinidades com estes nostálgicos assuntos.

A nostalgia sempre foi motivo de verso e prosa, não há nada de novo aqui. Nossos folhetins modernos, a exemplo dos grandes clássicos da literatura, estão recheados de histórias que falam de amores impossíveis e de reencontros, quando, talvez, a impossibilidade não exista mais, ou seja, pelo menos, esquecida, para possibilitar o final feliz. A geração de que falo então, busca seu final feliz. E não raro, arrisca tudo o que já conquistou, para tentar um novo recomeço...

Claro, estou generalizando, sempre existem aqueles que estão com o pé no chão e entendem que o passado não pode ser mais recuperado, afinal, para estes, lugar do passado é, bem, digamos... O passado. Pasmem, pois estes não levam uma vida mais tranquila do que aqueles; estes, já que não podem buscar no passado seu refúgio, partem em busca de um novo futuro, que dê justificação às suas vidas. Fatalmente, um novo grande amor.

Mas o amor é um assunto que nos faz sofrer. Sem espiritualizações nesta hora, falo do amor de amantes, carnal, não de outro. Falo do amor citado por Camões: "o amor é fogo, que arde sem ver" e que realmente dói, corrói, faz, insisto, sofrer. Fica-se em desatino. A mulher, mãe zelosa, esquece-se da prole e parte furtivamente para seu encontro com o amor. O homem, trabalhador, não titubeia entre faltar ao serviço e encontrar-se com seu objeto de desejo. A moral? Que moral? A ética? Que ética? O casamento? Ah, sim, este "já não anda bem há algum tempo...". Eu lembro de um amigo, que estava saindo do nosso local de trabalho. Ele é alegre, "converseiro" e de repente, emudeceu. Olhei em volta. Vi sua chefe saindo. "Deve ser uma cobra", pensei... Conversa, vai, conversa, vem,  descubro que é uma cobra no sentido bíblico, pois seduz, engoda, embriaga e atrai... Meu amigo é casado, pai de família, trabalhador e perdeu o rumo porque uma mulher que ele não conhece com intimidade, foi embora sem se despedir. Mas, afinal, por que isto o incomodou? Ora, segundo me confidenciou, ele está apaixonado por ela.

Após todas as considerações acima, respondo a questão a que me proponho: os adultos e casados até poderiam se apaixonar, mas não deveriam, porque no devaneio das paixões, acaba-se deixando de viver o momento que está aí para ser vivido. Festa PLOC é ótimo? Com certeza. Mas será que os quarentões não ganhariam mais se ficassem dando continuidade às suas próprias vidas, ao invés de ficar fantasiando uma vida que não (mais) existe? Talvez... Mas assim, eles continuariam tristes e solitários. E tentando a "nova vida" eles deixam de ficar infelizes e sozinhos? A resposta, penso eu, é provavelmente não, mas ninguém pode culpá-los por se enveredarem numa Jornada em busca da própria felicidade, encontrando-a ou não."

Relendo meu texto, penso que hoje eu tenho um outro ponto de vista, um outro olhar sobre a questão. Mas acho que falarei sobre este novo olhar, em um novo post, num novo dia, risos.

Beijos e abraços a todos,

Alf.

Nenhum comentário:

Postar um comentário